FIEA e CNI defendem agenda estrutural para destravar investimentos

A força da indústria como alavanca econômica do Brasil voltou ao centro do debate durante a reunião mensal da Diretoria da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA) realizada na quinta-feira (27), na Casa da Indústria. Antes da apresentação do diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Roberto Muniz, o presidente da FIEA, José Carlos Lyra de Andrade, destacou que “não existe país desenvolvido sem uma indústria forte, inovadora e capaz de competir no cenário global”.

Baseado nos dados apresentados pela CNI, Lyra lembrou que a indústria responde por 24,7% do PIB nacional, por 11,5 milhões de empregos e por 66,8% de todo o investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento. “Cada real produzido na indústria gera R$ 2,44 na economia. A indústria é o motor do desenvolvimento, mas esse motor precisa de condições para funcionar plenamente”, afirmou.

Após a abertura, Roberto Muniz apresentou uma visão abrangente dos desafios e perspectivas do setor. Ele destacou que a CNI representa 930 mil indústrias em todo o país e atua diretamente na defesa de políticas públicas essenciais para competitividade, inovação e ambiente regulatório equilibrado.

Muniz detalhou os gargalos que afetam a infraestrutura brasileira, citando o baixo volume de investimentos, a lentidão nas obras públicas e a insuficiência de modais logísticos modernos. Segundo ele, a ineficiência geral da economia gera um impacto anual estimado de R$ 1,7 trilhão, equivalente a 20% do PIB. “É impossível falar em competitividade sem enfrentar com urgência o déficit de infraestrutura, especialmente no Nordeste, onde 74% dos empresários avaliam as condições como regulares, ruins ou péssimas”, observou.

Ele também apresentou as principais propostas da CNI na Agenda Legislativa da Indústria, que reúne temas prioritários como modernização do setor elétrico, concessões, regras para uso da inteligência artificial, estímulo à inovação e medidas para reduzir custos estruturais. Muniz destacou avanços recentes, como a modernização elétrica e a ampliação da licença-paternidade com escalonamento até 2029, ambos integrando a pauta mínima defendida pelo setor.

Ao final, reforçou que a indústria brasileira tem papel decisivo na transição energética, na inserção global e no desenvolvimento sustentável. “Temos capacidade, tecnologia e gente preparada. O que precisamos é remover barreiras históricas para permitir que a indústria volte a liderar o crescimento do Brasil”, concluiu.

Alagoas no Minas Trend


Ainda na reunião mensal da Diretoria da FIEA, o presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário (Sindivest-AL), Francisco Acioli, destacou a participação de 13 marcas alagoanas na 34ª edição do Minas Trend, realizada entre 21 e 23 de outubro, em Belo Horizonte-MG. Elas foram ao evento por meio do Sindivest, com apoio da FIEA e patrocínio do Sebrae/AL e Senai/AL.

Realizado em Belo Horizonte, o Minas Trend reuniu marcas de diversos segmentos e movimentou mais de R$ 33 milhões em negócios. A participação marcou os 10 anos de Alagoas na feira e foi acompanhada pelo secretário municipal de Cultura e Economia Criativa,  Brivaldo Marques, que garantiu apoio da pasta à iniciativa.

Ele estava acompanhado das empresárias Simone Ayres e Lara Amorim.

Contribuinte Arretado

O encontro foi encerrado com informes do consultor Francisco Torquato sobre a última reunião do Grupo de Trabalho do programa Contribuinte Arretado, da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), no qual representa a FIEA.

Na ocasião, José Carlos Lyra manifestou preocupação com o possível retorno do Fundo de Equilíbrio Fiscal (Fefal), o que oneraria os custos das empresas com a devolução de 10% do valor referente aos incentivos do Prodesin. “Vamos dialogar com a Sefaz para mostrar como isso é prejudicial”, disse.

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