Com a chegada do Projeto Lidera Alagoas a Arapiraca, o fortalecimento da liderança feminina no mundo dos negócios ganha um novo capítulo no estado. Após o lançamento em Maceió, a iniciativa do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), desenvolvida a partir de uma demanda do Fórum Nacional de Mulheres Empresárias (FNME), foi apresentada nessa quarta-feira (12) em reunião na Câmara Municipal, com o objetivo de mobilizar mulheres que empreendem, lideram empresas e buscam ampliar a capacidade de seus negócios no setor industrial, em especial nos segmentos de moda, alimentos e bebidas.
A escolha de Arapiraca considera a relevância econômica do município e a força de seu ambiente empresarial. Dados do Observatório Setorial Territorial do Sebrae mostram que a cidade tinha 22.058 empresas ativas em maio de 2026 e 59.326 trabalhadores no mercado formal em 2025. Desse total, 46,5% eram mulheres, evidenciando a expressiva participação feminina na economia local.

Ambiente favorável ao empreendedorismo
Representante de Alagoas no FNME e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), a empresária Lucinha Freire Peixoto recebeu cerca de 30 empreendedoras no encontro, que contou ainda com a participação da secretária municipal de Políticas para a Mulher, Paula Tainá; do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Hibernon Cavalcante Albuquerque; e da gerente de Desenvolvimento Empresarial do IEL, Eliana Sá.
“Nós não poderíamos ter escolhido melhor a cidade para dar continuidade ao nosso projeto”, afirmou Lucinha. Segundo ela, a construção de uma rede de apoio é fundamental para fortalecer trajetórias e ampliar a presença das mulheres nos negócios. “A gente pode ajudar as mulheres de modo mais direto, mais objetivo. Com esse apoio, certamente as iniciativas serão fortalecidas, e isso representa um ganho para todo mundo”, acrescentou.

O perfil empresarial de Arapiraca reforça esse potencial. Entre as empresas registradas até 2025, 48,2% eram Microempreendedores Individuais (MEIs), 37,3% microempresas e 6,93% empresas de pequeno porte. Em 2025, os MEIs representaram 64,1% dos novos negócios abertos no município, enquanto as microempresas responderam por 27,4%. “Esse panorama confirma a vocação empreendedora da nossa cidade e mostra um caminho que pode e deve ser percorrido pelas mulheres de todos os segmentos”, destacou Paula Tainá.
Liderança para gerar conexões
É nesse cenário que o IEL amplia sua atuação como indutor do desenvolvimento empresarial. O Lidera AL reúne ações de identificação das lideranças femininas do setor industrial, mobilização territorial, mapeamento de desafios, capacitação em liderança e gestão, além de rodadas de negócios e exposições, criando um ambiente de troca de experiências, formação e conexão entre empresárias.
A proposta ganha relevância diante da participação feminina na economia alagoana. Embora as mulheres representem mais da metade da população, apenas 33% dos negócios no estado são comandados por elas, segundo dados apresentados pelo IEL. No país, a média é de 34,4%. “Daí a importância do Lidera AL, um movimento que começou há cerca de um ano e vem crescendo em função do perfil empreendedor das mulheres aqui”, afirmou Eliana Sá. Para ela, a iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer trajetórias e ampliar o protagonismo feminino no setor produtivo.

Criado a partir de uma proposta apresentada por Lucinha Peixoto ao FNME, o projeto foi acolhido e aprimorado pelo IEL Alagoas e ganhou dimensão nacional com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Vale ressaltar que o projeto apresentado em Arapiraca concorreu com todo o Brasil e foi classificado em primeiro lugar no edital da CNI. A primeira edição oferece 15 vagas gratuitas para empresárias alagoanas em temas de gestão, além de 10 vagas para a formação de mentoras.
Ao chegar a Arapiraca, o Lidera AL amplia o acesso de empresárias do interior a formação, mentoria e redes de relacionamento que historicamente se concentram nos grandes centros. Mais do que uma capacitação, a iniciativa propõe a construção de uma rede capaz de transformar experiências, conexões e conhecimento em novas possibilidades de crescimento para os negócios e para a economia regional.
