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  • Quase metade das indústrias brasileiras já investe em fontes renováveis de energia, mostra pesquisa da CNI

    Quase metade das indústrias brasileiras já investe em fontes renováveis de energia, mostra pesquisa da CNI

    Com a urgência de combater as mudanças climáticas, a indústria brasileira tem intensificado os esforços para incorporar fontes renováveis de energia no processo produtivo. Em 2024, 48% das empresas afirmaram investir em ações ou projetos de uso de energia hídrica, eólica, solar, biomassa ou hidrogênio de baixo carbono, segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

    O percentual representa um salto significativo em relação a 2023, quando 34% das empresas indicaram iniciativas voltadas à geração de energia limpa. Os resultados integram pesquisa encomendada pela CNI à Nexus, que entrevistou 1 mil executivos de indústrias de pequeno, médio e grande porte de todos os estados brasileiros entre 24 de outubro e 25 de novembro de 2024.

    Entre as indústrias que investiram em programas ou ações para o uso de fontes renováveis de energia, a autoprodução foi a principal estratégia (42%). Elas buscaram, sobretudo, reduzir custos (50%).

    Regionalmente, o Nordeste se destaca como líder em termos de investimentos em projetos de energias renováveis. De acordo com o estudo, 60% das indústrias da região apostam em projetos de energia limpa.

    No Norte e Centro-Oeste, o índice é de 56%; no Sul, 53%; e no Sudeste, 39%.

    Inovação é estratégica para a descarbonização

    Aumentou também o número de indústrias que consideram a energia renovável e a inovação como estratégias para a descarbonização. Em 2024, 25% das empresas indicaram o uso de fontes renováveis como prioridade para reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE), um crescimento de 2 pontos percentuais em relação a 2023.

    No quesito inovação, o avanço foi ainda mais expressivo: o percentual de empresas que priorizam a inovação tecnológica para descarbonização passou de 14% em 2023 para 20% em 2024.

    Mais de 60% das empresas entrevistadas têm interesse em financiamento para adequação do maquinário para fins de descarbonização. Por outro lado, a 9 em cada 10 reclamam da falta de incentivo tributário para as ações de descarbonização industriais. 

    Brasil: uma posição privilegiada para energias renováveis  

    As características geográficas e climáticas colocam o Brasil em posição privilegiada na busca por um crescimento econômico sustentável. Mais de 90% da matriz elétrica brasileira têm origem em fontes renováveis, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

    As três maiores fontes renováveis da matriz elétrica nacional são: hídrica, eólica e biomassa. Entre as fontes não renováveis, destacam-se gás natural, petróleo e carvão mineral. No mundo, ainda há grande dependência de energias provenientes de fontes não renováveis.

    Em 2024, pela primeira vez em 84 anos, as fontes de energia limpa responderam por 40,9% da geração global de eletricidade, segundo a Ember, think tank dedicado à energia. Em 1940, o sistema elétrico mundial era 50 vezes menor e a geração renovável se concentrava, basicamente, em hidrelétricas. O Brasil teve papel relevante ao se tornar o quinto maior produtor de energia solar do mundo, ultrapassando a Alemanha, considerada uma referência no setor. O mesmo estudo mostrou que os países mais impactados pelo aumento das temperaturas, como China e Índia, intensificaram o uso de fontes fósseis, especialmente carvão. 

    Em relação à logística reversa, 70% das médias e grandes indústrias já desenvolvem ações. Empresas que fabricam produtos no Brasil têm responsabilidade compartilhada com governos e cidadãos para evitar o desperdício.

    Para 83% dos entrevistados que investem em práticas e projetos em economia circular, as iniciativas contribuem diretamente para a redução de GEE. 

  • Indústria brasileira investe mais de R$ 100 mi em tecnologia de captura carbono

    Indústria brasileira investe mais de R$ 100 mi em tecnologia de captura carbono

    Com potencial de reduzir 57% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) das indústrias no Brasil, os projetos de captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS, na sigla inglês) são alternativas para os setores mais intensivos que, mesmo adotando todas as estratégias de descarbonização possíveis, têm mais dificuldade de serem livres de carbono nos seus processos produtivos. Por exemplo, as indústrias de cimento e de siderurgia.

    O dado é da organização CCS Brasil e integra estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento “Captura, utilização e armazenamento de carbono (CCUS): experiências internacionais e o potencial brasileiro” analisa os programas de Estados Unidos (EUA), Canadá, União Europeia, Noruega, Reino Unido, Alemanha, Dinamarca e Indonésia, destacando como as principais lições, avanços e desafios aprendidos em outros países podem fornecer subsídios para o desenvolvimento de CCUS no Brasil.

    CAPTURA, UTILIZAÇÃO E ARMAZENAMENTO DE CARBONO (CCUS) EXPERIÊNCIAS INTERNACIONAIS E O POTENCIAL BRASILEIRO.docx(1,1 MB)

    Atualmente, existem cerca de 45 instalações comerciais em operação no mundo, com uma capacidade total de captura de mais de 50 milhões de toneladas de CO2 anualmente. Entre 2022 e 2023, dez grandes instalações começaram a operar, incluindo novos projetos na China e nos Estados Unidos (EUA). No entanto, mesmo com esse crescimento recente, a capacidade atual de captura continua abaixo do necessário.

    No Brasil, segundo a CCS Brasil, o potencial de captura pode atingir cerca de 190 milhões de toneladas de CO2 por ano, apenas considerando o atual nível de produção industrial e geração de energia. Para não ficar atrás na corrida mundial pelo domínio da tecnologia, a indústria brasileira tem investidos mais de R$ 100 milhões em projetos de pesquisa espalhados pelo país (mais informações sobre os quatro projetos do setor com Institutos de Inovação do SENAI abaixo).

    No ritmo atual, captura mundial vai alcançar apenas 40% da meta Net Zero para 2030 

    A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que, para atender ao cenário Net Zero, ou seja, de zerar as emissões líquidas de carbono até 2030 para evitar o ponto de “não-retorno” – quando a quantidade de carbono levada à atmosfera for igual à quantidade que é removida – a capacidade global de CCUS deve atingir aproximadamente 1,2 bilhão de toneladas de CO2 por ano.  

    No momento, a capacidade dos projetos anunciados em desenvolvimento para 2030 representa apenas 40% dessa meta, o que, para a CNI, evidencia a necessidade de um aumento expressivo na velocidade de implementação e investimentos em novas tecnologias de captura e armazenamento. Até agora, cerca de 20% das capacidades anunciadas já estão em operação ou com decisão final de investimento (FID), indicando que muitos projetos permanecem em estágios iniciais.  

    “As experiências internacionais mostram que a implementação bem-sucedida de projetos de CCUS foi possível em países em que indústria e governo trabalharam de maneira coordenada, criando um cenário de incentivos e previsibilidade regulatória que estimulou o investimento tecnológico. Ainda que em estágio embrionário no Brasil, temos potencial técnico e institucional para integrar essas tecnologias nas nossas cadeias produtivas”, afirma o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Davi Bomtempo.  

    Como funcionam as tecnologias de CCUS?  

    As principais rotas tecnológicas de captura de carbono incluem:  

    • Captura pós-combustão, em que o CO2 é removido dos gases de combustão após a queima de combustíveis fósseis, como carvão ou gás natural, em usinas de energia ou processos industriais. São instaladas tubulações ou filtros químicos que impedem que o CO2 resultante de processos industriais vá para a atmosfera.   
    • Captura pré-combustão, usada principalmente em processos de gaseificação e em plantas de produção de hidrogênio a partir de fontes fósseis. O combustível é convertido em gás de síntese (H2 e CO) antes da combustão, e o CO2 é removido antes da queima.  
    • Captura oxicombustão, processo em que o combustível é queimado em uma mistura de oxigênio puro, em vez de ar, resultando em uma corrente de gases de combustão rica em CO2 e água, que facilita a captura. Apesar de ter uma eficiência relativamente alta na separação do CO2, os custos de separação e compressão do oxigênio são desafiadores.  

    As tecnologias comerciais mais estabelecidas, como a captura pós-combustão, são implementadas desde 1930 por diversas indústrias, embora ainda enfrentem desafios de custo e eficiência energética quando aplicadas em larga escala. Por isso, os países têm investido em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) para aprimorar essas rotas, aumentar as taxas de captura e reduzir a demanda energética do processo.  

    Depois de capturado, o que é feito com o CO2?   

    Após a captura, o CO2 é comprimido, transportado e depositado em locais seguros de armazenamento, em formações geológicas subterrâneas, como de petróleo e gás natural já exauridos e reservatórios salinos. Se essa for a etapa final, a sigla vira CCS (captura e armazenamento em carbono, em inglês).  

    Os principais modais de transporte de CO2 incluem dutos, navios e caminhões, sendo a escolha determinada por fatores como a distância a ser percorrida, o volume de CO₂ transportado, as características geográficas da região e a infraestrutura disponível.  

    Nos Estados Unidos, há mais de 8 mil quilômetros de dutos em operação, movimentando aproximadamente 70 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de CO2. Esse modal apresenta um histórico seguro desde a década de 1970 e representava 85% de toda a infraestrutura global de dutos de CO2 em 2019.   

    Quais os usos do CO2 capturado?   

    • Produção de combustíveis sintéticos: o CO2 pode ser combinado com hidrogênio de baixo carbono para criar combustíveis sintéticos, como metano ou combustíveis líquidos, oferecendo uma alternativa ao uso de combustíveis de alta intensidade de emissões de GEE.  
    • Materiais de construção: o CO2 pode ser utilizado para a produção de concreto e agregados de baixo carbono.   
    • Produção de produtos químicos: o CO₂ pode ser insumo para a produção de produtos químicos como metanol e ureia, que têm diversas aplicações industriais. No entanto, muitos desses produtos resultam em uma liberação posterior do CO2 ao serem consumidos, o que limita o impacto de mitigação no longo prazo.  
    • Indústria alimentícia: o CO₂ é amplamente utilizado em indústrias alimentícias para carbonatação de bebidas e na refrigeração, embora essa rota não ofereça uma solução de armazenamento permanente e seja considerada de menor impacto na redução total das emissões.  

    Qual é o estágio da tecnologia no Brasil? 

    Na indústria brasileira, a aplicação de CCUS pode ser uma ferramenta para atender aos compromissos ambientais do país e assegurar a competitividade global com a crescente pressão por soluções e produtos industrializados de baixo carbono. 

    A geologia brasileira oferece condições vantajosas para o desenvolvimento de CCUS em larga escala. O país conta com uma base técnica consolidada na indústria de óleo e gás, e a disponibilidade de formações geológicas adequadas, como reservatórios salinos e campos de petróleo exauridos, que colocam o Brasil em uma posição de destaque global para a adoção de projetos de captura e armazenamento de carbono. 

    Recentemente, o Brasil aprovou um marco regulatório para CCUS, a Lei do Combustível do Futuro, que representou um avanço importante na agenda. Outro incentivo relevante é a lei que estabelece o Programa de Aceleração da Transição Energética (PATEN). Este programa inclui CCUS entre as atividades que poderão se beneficiar de incentivos específicos para a promoção de tecnologias de baixo carbono.   

    O estabelecimento de um mercado regulado de carbono no Brasil também criou um ambiente favorável para os projetos de CCUS. Sancionada no fim do ano passado, a lei que criou o sistema de precificação de carbono estabeleceu metas de redução de emissões, permitindo que a captura e o armazenamento de carbono se tornem uma opção viável e atrativa para setores industriais que buscam cumprir as obrigações de mitigação de emissões.   

    Para que o Brasil possa aproveitar as oportunidades atreladas ao desenvolvimento de CCUS, o estudo recomenda:

    • Criação de incentivos fiscais e linhas de financiamento específicas para projetos de CCUS.
    • Desenvolvimento de hubs industriais de CCUS, compartilhando infraestrutura entre diferentes setores industriais.
    • Ampliação dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D) para aprimorar as tecnologias de captura e armazenamento.
    • Promoção do engajamento público e do diálogo com as comunidades locais para garantir a licença social para operar.
    • Implementação de regulamentação clara para o licenciamento ambiental e monitoramento dos projetos de CCUS.
    • Estabelecimento de um mapeamento das áreas mais promissoras para a criação de hubs industriais de CCUS, com sinergias para produção de hidrogênio.
    • Mapeamento da cadeia de suprimentos de CCUS no Brasil para identificar lacunas e oportunidades no desenvolvimento de infraestrutura.
    • Fomento de parcerias internacionais para achatamento da curva de aprendizado e aceleração da implementação de projetos.
    • Promoção da integração de CCUS às políticas climáticas e industriais nacionais, assegurando sua presença em estratégias de descarbonização.

    Conheça projetos brasileiros de captura de carbono 

    Quatro projetos de PD&I para captura de carbono são desenvolvidos por Institutos SENAI de Inovação de diferentes regiões do país com indústrias e outras instituições de pesquisa. Mais de R$ 100 milhões estão sendo investidos para o Brasil ter domínio tecnológico das soluções de captura. Conheça os projetos: 

    1 – Captura de CO2 em unidade alimentada por energia renovável

    2 – Tupã

    3 – CO2CHEM: combustível sintético de hidrogênio verde

    4 – Captura de CO2 e utilização em materiais avançados

    As salas de prova têm um papel crucial na avaliação do desempenho dos motores a combustão interna, proporcionando um ambiente controlado para conduzir testes rigorosos.

    Elas desempenham um papel duplo, não apenas como locais essenciais para aprimorar o desempenho dos motores a combustão interna, mas também como catalisadores para o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes e sustentáveis, que podem reduzir o consumo de combustível e as emissões de poluentes na indústria automotiva. 

    Dada sua importância, é essencial desenvolver estratégias para mitigar o impacto ambiental dessas instalações. E nossa abordagem tecnológica permite a captura e utilização do CO2 gerado durante os ensaios.  

    Importante salientar que o projeto tem como pressuposto não apenas realizar a captura do CO2, mas sim desenvolver novos usos e materiais a partir dele. Isso porque a simples mitigação das emissões não é suficiente; é igualmente crucial explorar tecnologias inovadoras que permitam o aproveitamento do CO2 capturado.

    Isso envolve pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias que transformem o CO2 em matérias-primas valiosas, como sua aplicação para a produção de materiais cimentícios, contribuindo assim para a busca de soluções mais sustentáveis na indústria automotiva. O processo de captura proposto tem potencial de capturar até 90% do CO2 emitido no processo.  

    Os Institutos SENAI 

    Os 28 Institutos SENAI de Inovação (ISIs) compõem a maior rede de ciência e tecnologia para o setor industrial. Espalhados por 13 Unidades da Federação (UFs), eles fazem a ponte entre a indústria e a academia, por meio do trabalho de mais de 1.560 pesquisadores, desses 47% doutores e mestres.

    Desde sua criação, em 2011, a rede já desenvolveu mais de 3,3 mil projetos de PD&I e teve mais de 1,3 mil empresas atendidas, totalizando mais de R$2,47 bilhões em projetos. 

  • Dia da Indústria, na CNI, terá palestra de Luís Roberto Barroso sobre IA, anúncio de novos recursos para o Mover e painel com Geraldo Alckmin

    Dia da Indústria, na CNI, terá palestra de Luís Roberto Barroso sobre IA, anúncio de novos recursos para o Mover e painel com Geraldo Alckmin

    Confederação Nacional da Indústria (CNI) realiza na próxima segunda-feira (26/5), a partir das 14h, um evento de comemoração do Dia da Indústria, em Brasília. A programação terá palestra magna do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso; anúncio de nova chamada do Programa Mover e painel sobre política industrial e o contexto geopolítico, com a participação do vice-presidente e ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, e do advogado-geral da União, Jorge Messias.

    A palestra do ministro Luís Roberto Barroso se dará em torno da regulamentação da inteligência artificial (IA) no país, sob a perspectiva jurídica e seus impactos para o desenvolvimento tecnológico brasileiro.

    Na sequência, o evento contará com o anúncio de recursos para nova chamada do Programa Mover, de fomento ao setor automotivo, por meio de parceria entre o MDIC, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

    O programa também será tema de painel, com participação do presidente da CNI, Ricardo Alban; da diretora de Desenvolvimento da Indústria de Alta-Média Complexidade Tecnológica do MDIC, Margarete Gandini; da diretora Tributária de Comércio Exterior da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Andrea Serra; do diretor de Inovação do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Maurício Muramoto; da diretora de Comunicação da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), Luciana Giles; do presidente da Embrapii, Álvaro Prata; e do diretor geral do SENAI, Gustavo Leal.

    O painel seguinte abordará o papel da política industrial em um novo contexto geopolítico, do qual participam Geraldo Alckmin; o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias; a secretária-Geral das Relações Exteriores do Itamaraty, Maria Laura da Rocha; o vice-presidente da Siemens Energy e coordenador da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), André Clark Juliano; o vice-presidente da CNI e presidente da Fibrasa, Léo de Castro; e o senador Nelsinho Trad (PSD/MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

    Para encerrar o evento, haverá a cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Industrial, que reconhece a contribuição de empresários e autoridades ao desenvolvimento da indústria.

    AVISO DE CREDENCIAMENTO – Os jornalistas interessados em cobrir o evento presencialmente devem enviar e-mail com o título “Pedido de credenciamento – Dia da Indústria” para [email protected].

    Programação

    • 13h30 | Recepção dos convidados
    • 14h | Abertura, com presidente da CNI, Ricardo Alban
    • 14h15 | Palestra magna: Inteligência Artificial e Desenvolvimento Nacional com o ministro Luís Roberto Barroso (STF)
    • 15h | Programa MOVER: resultados, impactos e lançamento de chamada de projetos
    • 16h | Painel: O papel da política industrial no novo cenário global
    • 17h | Cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Industrial
  • Aprovação do PL do licenciamento ambiental vai ampliar investimentos e promover desenvolvimento sustentável, avalia CNI

    Aprovação do PL do licenciamento ambiental vai ampliar investimentos e promover desenvolvimento sustentável, avalia CNI

    Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia como positiva a aprovação, pelo plenário do Senado Federal, do Projeto de Lei nº 2.159/2021, que institui um novo marco legal para o licenciamento ambiental no Brasil. Após mais de 20 anos de debates intensos, a medida aprovada busca uniformizar procedimentos em todo o país e simplificar a concessão de licenças para empreendimentos de menor impacto. Representa um passo importante para modernizar a gestão ambiental, trazendo mais eficiência, previsibilidade e segurança jurídica.

    Como o texto sofreu alterações, será necessário que a proposta retorne à Câmara dos Deputados, onde foi originalmente apresentada. A CNI defende que a tramitação seja concluída com celeridade, garantindo a aprovação final de um marco legal equilibrado e tecnicamente robusto.


    A regulamentação do licenciamento ambiental permite que o país supere gargalos históricos com mais racionalidade, mantendo o foco na proteção ambiental e qualificando, tornando previsível e ampliando o investimento essencial para o crescimento econômico e para a transição para uma economia de baixo carbono”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.


    O atual sistema de licenciamento ambiental é marcado por insegurança burocrática, jurídica e sobreposição de exigências, o que compromete a qualidade das análises e desestimula o investimento produtivo. O novo marco busca qualificar procedimentos, com normas mais claras, proporcionais ao risco ambiental e com uso intensivo de ferramentas técnicas e tecnológicas, como o licenciamento digital.

    A proposta também favorece setores estratégicos como infraestrutura, energia e logística, além de beneficiar micros e pequenas empresas, que muitas vezes enfrentam grandes obstáculos para operar devido à complexidade do sistema atual. Com critérios mais objetivos e previsíveis, o país poderá acelerar a tramitação de licenças sem abrir mão da qualidade técnica das decisões.

    A proposta de lei também contribui com a agenda ambiental e climática ao viabilizar projetos voltados à sustentabilidade com mais agilidade e segurança, como os de energia renovável, eficiência energética, infraestrutura verde e economia circular.

    Aspectos técnicos que fortalecem o novo marco legal

    • Respeito às competências federativas: a Constituição determina que Lei Complementar regulamente as competências administrativas comuns, como faz a LC nº 140/2011. O texto mantém regras gerais nacionais, preserva as competências dos entes federativos e a autonomia para adotar procedimentos próprios, conforme suas realidades econômicas, sociais e ambientais.
    • Ritos e processos adaptados: o texto apresenta diferentes estudos, tipos e modalidades de licenciamento ambiental, definidos pelo órgão competente conforme as características das atividades. Essa flexibilidade permite adequar exigências à realidade de cada caso.
    • Previsibilidade: a proposta aumenta a previsibilidade do processo, com Termos de Referência padrão, prazos administrativos definidos e exigência de digitalização e transparência em todas as etapas.
    • Otimização e redução de custos: obriga o poder público a disponibilizar dados e estudos anteriores para novos empreendimentos e unificar procedimentos similares. A Licença por Adesão e Compromisso (LAC) evita repetição de estudos para empreendimentos já conhecidos.
    • Condicionantes proporcionais aos impactos: prevê que condicionantes ambientais devem ter nexo causal com os impactos identificados, evitando exigências abusivas ou desvinculadas da atividade licenciada.
    • Independência do órgão ambiental: garante que manifestações de órgãos como Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Fundação Cultural Palmares e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) não sejam vinculantes e respeitem prazos, evitando atrasos e exigências desproporcionais.
    • Fortalecimento dos órgãos ambientais: exige que autoridades apresentem relatórios sobre recursos humanos, financeiros e institucionais necessários ao cumprimento da lei.
    • Redução do risco de financiamento: define que terceiros não têm poder de polícia ambiental. Basta exigir comprovação de regularidade ambiental dos contratados, reduzindo riscos para financiamentos

    Setor produtivo expressa, em carta, apoio ao marco legal  

    Diversas instituições representativas do setor produtivo divulgaram nesta semana uma carta aberta em apoio à aprovação do novo marco legal do licenciamento ambiental. O documento foi entregue à senadora Tereza Cristina (PP-MS), relatora da matéria na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado, durante reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em Brasília. 

    Na carta, mais de 80 entidades reconhecem o licenciamento como um instrumento de proteção ambiental e destacam a necessidade de modernizar o processo, conferindo mais eficiência, previsibilidade e segurança jurídica. Elas também manifestam apoio ao relatório unificado dos senadores Tereza Cristina e Confúcio Moura (MDB-RO), e reforçam o pedido de celeridade na votação final da proposta.

    A CNI reconhece o empenho dos senadores Confúcio Moura e Tereza Cristina pela construção conjunta e pelo esforço de convergência que permitiu a aprovação do texto no Senado.

  • Brasil precisa priorizar a manufatura na relação com a China

    Brasil precisa priorizar a manufatura na relação com a China

    O estreitamento da relação comercial entre o Brasil e a China precisa vir acompanhado de um protagonismo da nossa indústria de transformação, que hoje está em enorme desvantagem na balança comercial com o país asiático. A chamada indústria manufatureira – que engloba as atividades de transformar matérias-primas e insumos em produtos intermediários ou finais – é a responsável por desenvolver e disseminar tecnologia no país e pelos maiores investimentos e salários. Embora represente apenas 14,4% do PIB nacional, a manufatura responde por 47,6% das exportações de bens e serviços do país, por 62,4% do investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento, e por 25,6% da arrecadação de tributos federais.

    Esses dados ilustram a importância da indústria de transformação para o desenvolvimento do país e mostram que a agropecuária não pode ser a única protagonista na relação com a China. Esse setor tem fundamental importância para o Brasil. Não se trata de reduzir a participação do agro, mas de ampliar o leque de atração de investimentos para a indústria da manufatura e de buscar espaço para que o nosso produto entre no mercado chinês.

    A China foi o principal destino das exportações brasileiras em 2024, com US$ 94,4 bilhões, o que significa 28% do que exportamos no ano passado. O país asiático foi também a principal origem das nossas importações, com US$ 63,6 bilhões, o equivalente a 24,2% do que importamos. No entanto, quando falamos da indústria de transformação, a balança está longe, muito longe do equilíbrio: temos um déficit de R$ 45 bilhões entre o que vendemos e o que compramos de bens industriais.

    O crescimento sustentado da China aumenta a demanda por produtos agropecuários, minerais e insumos industriais, favorecendo especialmente os setores de commodities no Brasil, mas também há espaço para o produto manufaturado. Precisamos de uma estratégia consistente e arrojada para abrir mais espaço para o produto de maior valor agregado da indústria brasileira na China.

    Reafirmo. A indústria brasileira precisa ganhar espaço na relação bilateral com a China. As oportunidades estão surgindo, mas é imprescindível que o governo brasileiro impulsione políticas industriais e priorize a manufatura para equilibrar a balança comercial de produtos manufaturados, hoje muito desfavorável ao país.

    Uma estratégia é focar em inovação, qualidade e diferenciação de produtos, em vez de competir apenas pelo preço. Precisamos investir em design, branding e atendimento especializado para agregar valor e criar nichos de mercado onde a simples vantagem de custo não é determinante. Além disso, a adoção de tecnologias avançadas de automação e gestão da produção, bem como a busca de parcerias comerciais mais amplas, fortalecerão a nossa competitividade.

    Precisamos atrair investimentos produtivos da China, de forma que a presença asiática não se baseie apenas em exploração do nosso mercado para consumo de bens, mas em encadeamento produtivo, de forma que a parceria contribua para a neoindustrialização do Brasil e para a integração das nossas empresas a cadeias mais complexas e tecnológicas.  

    Recentemente, atraímos empresas chinesas do setor automotivo e de eletrônicos na Bahia, em Goiás e no Amazonas. Esse movimento é essencial, mas ainda mais importante é garantir o encadeamento produtivo de forma que peças e equipamentos sejam fabricados no Brasil. A instalação de polos de pesquisa e desenvolvimento e a criação de novos parques fabris com parceiros chineses no país, como anunciados durante a visita do presidente Lula à China recentemente, precisam ganhar escala e integrar, irrevogavelmente, a agenda de negociações entre os países.

    Outro exemplo do que o Brasil precisa nessa relação bilateral é o acordo que prevê a instalação do grupo Windey Energy Technology Group Co. no campus do SENAI CIMATEC, na Bahia. A parceria busca soluções em energia eólica, hidrogênio verde e sistemas de armazenamento de energia em baterias, com inovação aplicada e investimento para a instalação de fábricas de turbinas eólicas e sistemas para armazenamento de energia em baterias. Essa é mais uma medida que pode fortalecer a cadeia produtiva nacional e contribuir para a geração de empregos.

    Podemos e devemos fabricar máquinas agrícolas em vez de importar esses equipamentos na China, como também precisamos explorar cada vez mais o nosso potencial para atender a elevada demanda mundial por minerais críticos, especialmente no contexto da transição energética.

    A atração de Data Centers também é uma outra oportunidade que bate a nossa porta. Temos enorme disponibilidade de energias renováveis e podemos desenvolver em conjunto com parceiros comerciais tecnologias como super baterias para serem usadas em polos tecnológicos. Muitos países, como a China e os EUA, usam pequenas termelétricas para abastecer os Data Centers, enquanto nós temos condições de fazer centros de dados realmente verdes com energia totalmente renovável.

    A ampliação do uso de políticas industriais ativas pós-pandemia e a recente guerra tarifária provocada pelos Estados Unidos mostraram ao mundo a extrema necessidade de os países protegerem e fortalecerem suas indústrias, sob o risco de perderem espaço e serem engolidos pelas tecnologias e investimentos de outras economias. Nesse cenário, precisamos manter diálogo aberto com países que querem acordos e relações de ganha-ganha.

    O anúncio esta semana de acordos de cooperação entre Brasil e China, assinados durante visita do presidente Lula a Pequim, preocupa setores da indústria brasileira. Os investimentos chineses em infraestrutura são bem-vindos, mas não podemos abrir mão de produzir e exportar para a China, em detrimento de comprar produtos manufaturados chineses – o que enfraquece a indústria brasileira.

    A baixa capacidade de agregação de valor no Brasil pode ser evidenciada pela realidade de que vamos exportar etanol para a China transformar em combustível da aviação e revender para o mundo. Esse não é o caminho. Precisamos ter capacidade e tecnologia para produzir e vender o produto final.

    Os empresários industriais brasileiros entendem que o Brasil corre o risco de deixar a indústria da manufatura em segundo plano diante das oportunidades de estreitamento do comércio com a China. Precisamos aproveitar essa onda. Caso contrário, quem perderá será a indústria nacional.

    *Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

    O artigo foi publicado na CNN Brasil, no dia 19 de maio. 

  • Economia circular: o que falta para acelerar boas práticas no Brasil?

    Economia circular: o que falta para acelerar boas práticas no Brasil?

    Não é novidade: o conceito de economia circular está consolidado como um modelo econômico viável no meio acadêmico. Da mesma forma, as boas práticas do setor produtivo têm contribuído para um cenário cada vez mais favorável. No setor financeiro, a sinalização de investimentos valiosos tem aumentado.

    Por que, então, ainda existem tantos desafios de mercado no Brasil, que impedem a adoção dessas práticas em grande escala? O que falta para o país acelerar a transição de uma economia linear para uma economia circular?

    Segundo o diretor executivo de ESG do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luiz Gabriel de Azevedo, financiar a circularidade em escala é um grande desafio.


    “Um dos principais entraves é o modelo de negócio tradicional linear, que ainda foca na produção em massa. As empresas já compreendem que as soluções de economia circular oferecem novas oportunidades de valor no mercado, porém, os modelos circulares exigem uma mudança sistêmica. Produtos circulares demandam investimento em pesquisa, inovação e design, por exemplo”, explicou o especialista em ESG, durante o painel no Fórum Mundial de Economia Circular, que teve início nesta quarta (13), em São Paulo.


    Confira as novidades da indústria no Fórum Mundial de Economia Circular

    Para Azevedo, é preciso pensar a longo prazo e focar em ações. “Como podemos trazer iniciativas interessantes e que podem ser aplicadas em escala? Temos muitas vantagens competitivas no Brasil. É uma oportunidade que não podemos desperdiçar na América Latina e Caribe”, destacou.  

    O representante do BID também afirmou que é necessário mudar a maneira como identificamos e avaliamos projetos, atribuindo mais peso a benefícios de longo prazo. “Muito pode ser obtido com as novas taxonomias [forma de avaliar se uma atividade/empresa é sustentável]. E, nesse ponto, os financiamentos dos setores público e privado são fundamentais”, apontou.

    Na opinião de Ambroise Fayolle, vice-presidente do Banco Europeu de Investimento (EIB) e que também participou do painel, a insegurança nos investimentos torna a economia circular menos atraente para o mercado.


    “A falta de regulamentação é um grande obstáculo. Previsibilidade e certeza são importantes, porque estão relacionadas ao risco. E são elementos interessantes, porque são positivos. É um processo lento, é verdade, mas totalmente necessário”, pontuou.


    Fayolle acrescentou que os produtos circulares costumam ser avaliados somente pelo preço. “Essa disparidade também desencoraja investimentos na economia circular. O plástico é um grande exemplo disso. Se avaliarmos a poluição plástica dos oceanos, em 2050 haverá mais plástico do que peixes no mar. Não é fácil repensar esses modelos, mas existem maneiras corretas de promover a produção, venda e tratamento de matérias-primas secundárias”, garantiu.

    O especialista foi enfático ao dizer que a economia do futuro é circular. “E vamos precisar cada vez mais de matérias-primas críticas. Se avaliarmos como se faz o design desses produtos, considerando sua reciclagem e com foco no processo circular, teremos um futuro esperançoso pela frente”, afirmou Fayolle.


    Outro ponto de atenção abordado por Luiz Gabriel de Azevedo foi a ausência de regras de contabilidade padronizadas. “Essa é uma barreia importante para destravarmos investimentos na área. Quando você engaja em projetos de economia circular, você precisa assumir outros riscos que vão além do financeiro, como o de reputação. O sistema financeiro precisa estar preparado para isso”, alertou.


    Azevedo afirmou que os padrões de contabilidade melhoram a transparência. “As empresas precisam ter KPIs [indicadores] muito bem definidos, para medir o retorno. Na medida em que padronizamos as métricas financeiras, possibilitamos a expansão de produtos financeiros baseados em sustentabilidade. Conectar a economia circular a outros riscos, com métricas padronizadas, permite aos investidores avaliarem a viabilidade a longo prazo. Ou seja, a métrica é vital para reduzir a incertezas e melhorar os investimentos”, avaliou.

  • O que é uma guerra comercial? | Indústria de A a Z (Ep. #41)

    O que é uma guerra comercial? | Indústria de A a Z (Ep. #41)

    Uma guerra comercial acontece quando pelo menos dois países começam a ter problemas na relação de comércio entre eles, a conhecida relação de compra e venda. Seja impondo tarifas aos produtos, barreiras, restrições…

    É como se eles dessem um recado: se quer vender pra cá, vai pagar o preço que eu considero justo. A briga geralmente começa porque um dos países não fica satisfeito com as tarifas praticadas nessa relação ou para forçar uma negociação. 

    E a alegação quase sempre é a mesma: proteger a indústria local. Tudo isso tem consequências, gera impactos e a gente juntou tudo nesse episódio #41 do Indústria de A a Z!

    O que você vai encontrar?

    • 0:00 – Abertura
    • 00:22 – Vamos entender o contexto de guerra comercial?
    • 01:10 – A grande disputa econômica
    • 01:55 – Quais as consequências e os impactos?
    • 03:14 – Como ficam os empregos?
    • 03:36 – A guerra comecial e o isolamento de outros países
    • 04:09 – Quando a guerra comercial vira uma oportunidade
    • 04:54 – Os meios de acalmar os ânimos e o papel da OMC
    • 06:06 – Negociar é preciso!
    • 6:53 – Encerramento

    Esse é o Indústria de A a Z

    Todo mês temos um novo encontro por aqui. A gente traz os temas da indústria sempre de um jeito muito fácil de entender. Para acompanhar os próximos programas, é só se inscrever no nosso canal no Youtube.

    Se ficou com alguma dúvida ou quer saber mais sobre um assunto, é só deixar um comentário lá no Youtube. A sua sugestão pode ser o nosso próximo vídeo!

  • Faturamento industrial sobe 4,7% no 1º trimestre do ano, aponta CNI

    Faturamento industrial sobe 4,7% no 1º trimestre do ano, aponta CNI

    O faturamento real da indústria subiu 4,7% no primeiro trimestre de 2025, em relação ao quarto trimestre do ano passado, revelam os Indicadores Industriais divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta sexta-feira (9).  O resultado positivo ocorre mesmo após o faturamento das empresas do setor cair 2,4% em março. Na comparação com o primeiro trimestre de 2024, indicador cresceu 10,8%. 

    Em março, as horas trabalhadas na produção caíram 1,6%. A queda reverteu a maior parte da alta observada em fevereiro, de 1,9%. Ainda assim, o indicador encerrou o primeiro trimestre 1,1% acima do patamar registrado no quarto trimestre de 2024 e 4,2% acima do resultado do primeiro trimestre do mesmo ano. 

    Já a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) seguiu estável. Assim como em fevereiro, a UCI não mudou em março. Permanece em 78,9%, considerando a série livre de efeitos sazonais. A UCI média do primeiro trimestre é 0,1 ponto percentual inferior à média do trimestre anterior e, está 0,6 ponto percentual aquém do primeiro trimestre do ano passado. 

    Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, a estagnação da UCI pode ter relação com queda na demanda por produtos industriais. “Isso caracteriza uma perda do dinamismo, que a gente vem observando desde o fim do ano passado. Esse movimento também pode se verificar no recuo do faturamento e da produção de março.” 

    Emprego sobe, mas massa salarial e rendimento diminuem

    Segundo o levantamento, o emprego industrial registrou estabilidade em março. Nos dois primeiros meses do ano, os postos de trabalho haviam crescido 0,4%. Com isso, o indicador encerrou o primeiro trimestre de 2025 com alta de 0,8% frente ao trimestre imediatamente anterior. Em relação aos três primeiros meses de 2024, a alta foi de 2,7%. 

    “O emprego industrial vinha de uma sequência de 17 meses de crescimento ininterrupto, com variações pequenas, mas consistentes. Nos dois primeiros meses, o ritmo de crescimento do emprego foi significativo e, agora, está estável. No entanto, ainda é cedo para apontar se é o fim desse longo ciclo ou se ele vai se repetir nos próximos meses, mas fica o alerta, sobretudo quando analisadas outras variáveis que, em sua maioria, foram negativas na passagem de fevereiro para março”, avalia o gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo. 

    Por outro lado, a massa salarial e o rendimento médio dos trabalhadores da indústria fecharam os três primeiros meses do ano em queda. Após cair 2,8% em março, a massa salarial consolidou recuo de 1,9% no primeiro trimestre, em relação aos três meses anteriores.

    Já o rendimento médio diminuiu 2,6% na passagem de fevereiro para março. Foi o quarto mês consecutivo de queda do indicador. Na comparação do primeiro trimestre de 2025 com o último trimestre de 2024, o rendimento médio real caiu 3,1%. Já na comparação com o primeiro trimestre de 2024, a queda foi de 3,9%. 

  • Projeto de telessaúde do Sesi ganha atenção do ministro da Saúde, Alexandre Padilha

    Projeto de telessaúde do Sesi ganha atenção do ministro da Saúde, Alexandre Padilha

    A Estação Sesi Saúde Conectada, instalada no Sesi Lab, em Brasília, já alcançou outros quatro estados, e atende atualmente mais de 1 mil colaboradores da indústria. A estação é uma estrutura móvel, preparada para consultas médicas a distância e exames, que foi pensada para ampliar o acesso da população a atendimentos de saúde por meio da tecnologia digital. 

    Na terça-feira (06/05), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou a cabine e pode conferir todos os serviços disponíveis pela Estação Sesi Saúde. Padilha declarou que a iniciativa está alinhada à diretriz do governo federal de ampliar o acesso da população a serviços especializados com o uso de tecnologias e parcerias estratégicas.

    Segundo ele, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, determinou que toda a estrutura existente no país seja mobilizada para garantir atendimento médico em tempo adequado em todo o território nacional. “O Sesi tem sido um grande parceiro, inovando com uma proposta que mexe com a indústria, cria emprego e cuida dos trabalhadores e trabalhadoras”, afirmou. 

    O ministro destacou que a privacidade oferecida na cabine e a possibilidade de ter um atendimento completo e multiprofissional é uma solução que alia geração de emprego e inovação industrial. 


    “Quem estiver dentro dessa cabine, no meio da fábrica, por exemplo, tem a privacidade assegurada. Além disso, é um canal importante de integração entre os dados gerados nas cabines e o SUS (Sistema Único de Saúde). Vamos fortalecer essa integração para que o prontuário eletrônico do atendimento possa ser visualizado por unidades de saúde da cidade ou hospitais, garantindo continuidade e qualidade no cuidado”, defendeu Alexandre Padilha. 

    Tecnologia é aliada à saúde do trabalhador 

    O presidente do Conselho Nacional do Sesi, Fausto Augusto Junior, ressaltou que a saúde do trabalhador é um dos pilares de atuação da instituição e que o avanço da telessaúde é parte de uma estratégia nacional em articulação com o Ministério da Saúde. Segundo ele, o Sesi, por meio do Conselho Nacional e do Departamento Nacional, tem buscado estruturar políticas de ampliação do acesso à atenção integral em saúde. 


    “A saúde do trabalhador é um dos principais focos de ação do Serviço Social da Indústria. Apresentar a cabine hoje é a possibilidade de abrir o debate e avançar na discussão sobre a telessaúde e a telemedicina como formas de levar atendimento a regiões distantes e de difícil acesso”, afirmou Fausto Augusto Junior. 


    Fausto explicou que o projeto está em fase de implementação, com 12 estações em operação em diferentes partes do país. “Essa experiência tem a ver com a construção de novas formas de garantir saúde integral ao conjunto dos trabalhadores brasileiros”, afirmou. 

    Projeto tem potencial para expansão 

    O diretor superintendente do Sesi Nacional, Paulo Mól, afirmou que a Estação Sesi Saúde Conectada representa um passo estratégico na atuação em saúde por parte do Sesi. Atualmente, o projeto atende cerca de mil trabalhadores em diferentes regiões do país. 

    Mól ressaltou que, embora seja uma fase de testes, a proposta tem potencial de expansão. “É um projeto teste, mas que tem toda a possibilidade de alcançar um número ainda maior de trabalhadores, não só da indústria, mas de todo o país.” 

    Segundo ele, as estações foram estruturadas para lidar com as doenças mais recorrentes, com suporte remoto de médicos e outros profissionais. “É um atendimento de qualidade, em que você consegue, de fato, dar assistência aos nossos trabalhadores para que possam ter uma vida mais saudável”, disse. 

    Iniciativa humaniza o atendimento 

    Segundo Emmanuel Lacerda, superintendente de Saúde e Segurança na Indústria do Sesi, a expectativa da Estação Sesi Saúde Conectada é alcançar locais que ainda não contam com a presença do Sesi. Hoje, existem oito projetos, alocados em cinco estados: Bahia, Ceará, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul. 


    “A proposta da Estação Sesi Saúde Conectada está alinhada ao movimento global de desospitalização e humanização dos ambientes de saúde, focando em proporcionar uma experiência mais acolhedora aos usuários. O conceito abrange toda a cadeia de saúde, reconhecendo que o ambiente de atendimento influencia diretamente o bem-estar do paciente”, enfatiza Emmanuel Lacerda. 


    Conheça a Estação Sesi Saúde Conectada 

    Projetada conforme a norma NBR 9050, a estação foi desenvolvida no Centro Universitário Senai (Cimatec), na Bahia, com foco em acessibilidade e segurança. O local possui rampa de entrada, barras de apoio, sinalização em braile e espaço adaptado para diferentes perfis de usuários. O agendamento das consultas é feito por celular, tablet ou computador e o acesso à cabine é liberado por meio de QR Code, no dia e horário marcados. 

    O interior da cabine reúne assento, maca, equipamentos clínicos digitais e integração com prontuário eletrônico. Estão disponíveis medidor de pressão, oxímetro, termômetro, glicosímetro, espirômetro e balança digital. Três câmeras – frontal, lateral e traseira – com recurso de zoom permitem ao profissional de saúde visualizar o paciente com precisão, inclusive em atendimentos como telefisioterapia. 

    A estação oferece suporte para consultas com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas. Também há um botão de emergência, que pode ser acionado pelo paciente ou pelo profissional remoto, garantindo resposta rápida da equipe de apoio local em casos de intercorrência. 

    Ao fim de cada atendimento, a cabine passa por higienização por meio do sistema de oxisanitização – tecnologia com luz infravermelha que elimina microrganismos no ambiente. A iniciativa do SESI busca levar serviços de saúde de qualidade a diferentes localidades, promovendo inclusão, conectividade e inovação no cuidado com a população. 

  • Exposição interativa no Sesi Lab desafia visitantes sobre transição energética

    Exposição interativa no Sesi Lab desafia visitantes sobre transição energética

    Como garantir a transição energética no futuro? Você decide! É com este desafio que o Sesi Lab apresenta a exposição interativa “Energia, Sou Watt?”, em cartaz a partir de 9 de maio na sede do museu de arte, ciência e tecnologia, em Brasília. Especialistas e representantes da sociedade civil guiarão os visitantes com informações para que assumam o controle de decisões estratégicas e aprendam mais sobre o tema.

    Sesi Lab investe em programação viva

    Cada visitante tem a responsabilidade de tomar decisões sobre o futuro energético de uma cidade, estado ou país, equilibrando demandas sociais, econômicas e ambientais. Ao longo de dez estações, equipadas com dispositivos interativos, são apresentados problemas reais sobre um tema cada vez mais urgente, construindo, passo a passo, um mix energético equilibrado e com metas até 2050.


    “Desde que o Sesi Lab abriu as portas, escolhemos trabalhar com temas anuais para deixar nossa programação mais viva. Assim, conseguimos mergulhar fundo em assuntos importantes, que já fazem parte das nossas atividades ou que estão em pauta no mundo, sempre conectando diferentes áreas do conhecimento com a indústria e com a realidade”, explica a superintendente de Cultura do Serviço Social da Indústria (Sesi), Cláudia Ramalho.


    “Em 2025, o tema que guia as experiências do Sesi Lab é ‘Energia e Transição Energética’, um assunto urgente e essencial para enfrentar as mudanças climáticas. A transição energética está no centro das discussões científicas e movimenta empresas, universidades e governos ao redor do mundo”, completa Ramalho.

    O jogo imersivo da exposição “Energia, Sou Watt?” traz os temas: acesso à energia, dependência de fontes fósseis, matérias-primas renováveis, energia nuclear, energias renováveis, armazenamento, redes, mobilidade, habitação e produção e consumo responsável. Em cada estação, o visitante assiste a um vídeo explicativo, é apresentado a um desafio real e escolhe uma entre três políticas públicas, com pontos fortes e fracos sobre cada uma.

    O objetivo é definir estratégias energéticas que garantam a descarbonização até 2050, como previsto no acordo climático assinado por diversos países em 2015, em Paris. Como fazer isso sem comprometer o crescimento econômico e a demanda por energia? O mix energético deve equilibrar produção e consumo, garantir aceitação social e ser financeiramente viável.

    Os desafios incluem análise de dados reais e reações da opinião pública, por exemplo. Todas as escolhas são registradas em um cartão magnético e, dependendo das respostas ao longo das dez estações, o visitante saberá em qual perfil se encaixa, como por exemplo se é alguém que acredita na economia de mercado, na cooperação internacional ou em regulamentações para o tema, entre outros. Ao final, recebe um cartão com sua avaliação, levando para casa uma lembrança da experiência e uma reflexão sobre seu papel na transição climática.

    Os resultados gerais da exposição também são apresentados em painéis eletrônicos na exposição e podem ser compartilhados nas redes sociais com um QR code.

    Eu sou um watt? 

    A exposição “Energia, Sou Watt?” foi criada originalmente pela Citéco (Cité de l’Économie), museu interativo francês. O nome é uma brincadeira com a unidade padrão usada para medir a transferência de energia, ou seja, a quantidade de energia usada ou gerada por um aparelho.

    A unidade foi criada pelo engenheiro escocês James Watt no século 18. A exposição, então, traz um senso de pertencimento aos visitantes: como você faz parte da energia no mundo?


    “Transição energética é um tema complexo e que afeta a todos nós, porque as escolhas feitas hoje moldarão a sociedade amanhã. É exatamente por isso que a ‘Sou Watt?’ foi criada”, afirma Raphaël Bonetto, do departamento de exposições da Citéco.


    “A experiência divertida e imersiva permite que você se coloque no lugar de um tomador de decisões e sinta o peso dessas escolhas. Uma coisa fica clara: não existe receita única e universal quando se trata de energia. A exposição faz as pessoas pensarem e discutirem com amigos e familiares. Ao fazer isso, capacita cidadãos e torna questões complexas mais acessíveis e até mesmo agradáveis”, completa Bonetto.

    A versão especial para o público brasileiro foi desenvolvida pela Ponto Produção e conta com curadoria científica do Observatório do Clima. “Energia, Sou Watt?” faz parte da Temporada França-Brasil 2025, organizada pelo Instituto Guimarães Rosa e pelo Institut Français, com apoio dos ministérios da cultura e das relações exteriores dos dois países.

    Serviço
    Exposição “Energia, Sou Watt?”
    Período: de 9 de maio de 2025 a 7 de setembro de 2025
    Local: SESI Lab, ao lado da rodoviária do Plano Piloto, Brasília (DF)
    Visitação: de terça a sexta-feira, das 9h às 18h; sábado, domingo e feriados, das 10h às 19h